Interessante como mercado:
http://gadgetwise.blogs.nytimes.com/2011/03/28/the-best-childrens-books-on-the-ipad/
:-)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
(em breve coloco aqui os comentários que escrevi sobre este livro)
Autor: Charles Frazier
Editora: Edições ASA, http://www.asa.pt
(em breve coloco aqui os comentários que escrevi sobre este livro)
Autor: Philippe Claudel
Editora: Edições ASA, http://www.asa.pt
(em breve coloco aqui os comentários que escrevi sobre este livro)
Autor: José Eduardo Agualusa
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
Este é um livro que prima pela originalidade e pela coragem. Retrata a sociedade Angolana no recente período pós-colonial e descreve a vida de uma pessoa (Félix Ventura) que vive de criar passados para pessoas, isto é, "inventar" um percurso de vida edificante para a elite Angolana. É bem sucedido, aparentemente, mantendo uma larga carteira de clientes. Nisso o livro é muito interessante e actual, porque é recorrente encontrar personalidades que se preocupam (ou preocuparam) em retocar a sua história de vida como forma de a tornar mais credível. Existem vários exemplos disso na passado recente.
O narrador da estória de Agualusa é uma osga que numa vida anterior tinha sido um ser humano, isto é, é um espírito que re-encarnou numa osga mantendo a memória da sua vida passada. Descreve a estória e todo o seu movimento, e estabelece reflexão sobre os acontecimentos. Este é um daqueles livros em que damos por nós, em vários momentos, com os olhos no infinito e um sorriso nos lábios a reflectir sobre passagens do livro, ditas pelos personagens, ou sequências da história.
A estória descreve as peripécias de um dos clientes, um fotógrafo, que de alguma forma se entusiasma com o passado "inventado" e o tenta re-visitar como se fosse verdadeiro: visita os locais, procura as pessoas, visita cemitérios, etc. A estória complica-se claro, mas isso fica para desvendar pelo leitor. Não há romance sem uma estória de amor. Neste também existe uma, com a introdução de uma outra personagem (uma fotógrafa) por quem o protagonista se apaixona.
Um livro muito inteligente, muito bem escrito e absorvente. Foi com ele que descobri este excelente escritos que é Agualusa.
:-)
Autor: Enrique de Hériz
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
(em breve coloco aqui os comentários que escrevi sobre este livro)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
Este livro foi uma verdadeira surpresa. Confesso que não tinha grandes expectativas quando ele me veio parar às mãos (não confio nada em quem o recomendou, mas confio muito em quem mo passou para as mãos). E é isso que acontece com os livros. Eles vêm ter connosco, são eles que nos escolhem. Há algo que se passa entre nós e os livros que é misterioso. Eu gosto de pensar que eles nos escolhem, que decidem vir ter connosco. Por isso, quando vou a livrarias ver livros, toco-lhes e passo as mãos pelas capas ao mesmo tempo que leio algumas páginas, fixo o nome do autor, tento relacionar com o que já li, etc. Muito raramente um livro vem ter comigo doutra forma. Carlos Ruiz Zafón conhece bem esta relação que temos com os livros e escreveu o grande livro que é "A Sombra do Vento". Um livro que alia livros a mistério, amor, intriga, romance, numa combinação perfeita e arrebatadora. Para além disso o autor coloca no livro a sua paixão por Barcelona, desenvolvendo a acção na primeira metade do século XX. A descrição pormenorizada da cidade e da sua vida é muito excitante, exactamente como é a cidade. Voltei a Barcelona depois de acabar "A Sombra do Vento". E fui a vários dos locais do enredo: re-visitei o "Les Quatre Gats", por exemplo, que continua um bom restaurante e café. :-)
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
Excelente livro escrito de uma forma muito divertida: estilo escárnio e maldizer. A forma de escrever de Echenique assemelha-se à de José Saramago (frases muito longas, com muitos apartes, notas e comentários) em muitos aspectos, apesar de ser bem mais corrosivo. É um retrato de uma sociedade conservadora, cheia de falsos moralismos e vazia, descrita contando a estória de Carlitos Alegre, um adolescente de 17 anos, estudante de medicina, muito religioso, filho de famílias bem instaladas e tradicionais, que se apaixona por Natália de Larrea, uma trintona divorciada e muito cobiçada pela elite política e financeira de Lima. Os amores de Natália e Carlitos são descritos com humor, mesmo os aspectos que levam um beato como Carlitos a envolver-se numa relação polémica, moralmente condenada pela sociedade. A forma como ele "obtém" a aprovação de deus, com conversas durante o sono (como a conversa que tem com deus antes de fazer amor pela primeira vez com Natália) ou até a sonhar de olhos abertos (conversa com a avó durante o seu funeral), é descrita em detalhe e de forma muito divertida: uma critica à moral da igreja pela sua falsidade.
Natália vive obcecada com a diferença etária entre ela e Carlitos. Tenta isolar o amado de todas as possíveis ameaças. Primeiro levando-o para o seu horto, onde tem a colaboração da criadagem e do motorista para manter Carlitos protegido. Depois levando-o para fora do país, para longe da família e amigos. Mas a relação não resiste a uma Natália cada vez mais velha e desconfiada das suas qualidades físicas. Por isso, quando Carlitos está fora em congressos médicos, recebe em sua casa jovens cada vez mais jovens (20-30 anos mais novos do que ela) como que para mostrar a si próprias que ainda os consegue atrair. A relação termina de forma abrupta, apesar de Carlitos conseguir uma carreira internacional de médico de muito relevo.
Um romance muito interessante de um autor que desconhecia.
Editora: Dom Quixote, http://www.dquixote.pt/
Este é um livro que nunca mais vou esquecer. Um livro muito bem escrito, muito bem construído e muito inteligente. Conta a estória de Nestor Rejón, um artista do ouro, egocêntrico e genial, que vive obcecado pela beleza e pela perfeição. É assim que devem ser entendidas as suas paixões, que aliás começaram muito cedo, quando era ainda muito novo, pela mão da sua empregada Ela. Um menino que obtinha como prémio de bom comportamento momentos de descoberta do corpo e da alma femenina. Momentos esses que perpetuou pela sua vida enquanto procurava, com a fé de um verdadeiro pesquisador de ouro, o filão que lhe havia de transformar a vida. É preciso estar preparado para perceber os sinais e detectar o ouro, saber identificá-lo, ser capaz de o agarrar e dár-lhe o devido valor. É essa a fé do verdadeiro pesquisador de ouro. Como dizia Nestor, deus visita-nos duas ou três vezes na vida (na verdade, eu penso que só nos visita uma vez, mas enfim...), mas temos de estar preparados para o perceber: a descrição das suas temporadas nas minas da Colômbia, do amigo pesquisador de ouro que lhe ensina o ofício, como lhe fala do "pó de ouro" ao mesmo tempo que ele tem um caso com uma colombiana que desaparece tão rapidamente como apareceu (como se fosse só mais um falso alarme) e lhe diz há sempre mais homens e mais mulheres. Verdadeiramente tocantes são o contraponto com a vida de Lampedusa e da sua obra "O Leopardo" que lhe chegam pela mão de Sarah D'Allara, uma "visita de deus" que ele soube mesmo perceber. É assim que lida com Tony Limpito (ex-namorado de Sarah, apostado em a reconquistar), aparentemente com ciúme e ciente da sua idade (sessenta anos), mas com a serenidade de quem sabe que encontrou o ouro e está preparado para lidar com ele.
Um romance verdadeiramente excepcional, de um autor que desconhecia e que foi um verdadeiro prazer descobrir.
Durante este pequeno período de férias li compulsivamente, e descobri dois autores muito interessantes: um peruano e outro espanhol. Não tem nenhum significado, ou talvez até tenha, mas dos meus últimos dez livros, sete foram escritos originalmente em língua espanhola (e seis vieram mesmo de Espanha). Somente dois foram escritos em língua portuguesa: um por Saramago e outro por Agualusa. E um escrito em inglês, o único que não é um romance.
Nos dez livros gastei cerca de 200 euros. Ou seja, o preço médio de cada livro foi aproximadamente 20 euros. Não sei o que dizer, porque não consigo pensar no preço de companheiros de vida, como são os livros. Mas talvez seja caro, e talvez valesse a pena reduzir o preço dos livros. É um investimento no futuro. Daqueles que valem a pena, porque fazem a diferença.
Um blog sobre livros? Não é nada original.
No entanto, tenho o hábito de escrever sobre os livros que leio, deixando pequenas notas na página inicial do livro. É isso que vou partilhar aqui, esperando que os livros que passam pela minha vida também passem pela vossa. Espero que gostem.


